segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

'Sabe, para mim a vida é um punhado de lantejoulas e purpurina que o vento sopra. Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo - deixa o vento soprar, let it be, fique pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco...'

(Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Que me leve

Mas era isso, e ninguém sabia
Que eu te queria, eu tinha um silêncio
Mas era isso, e era uma vida
Que eu te daria por um pensamento
Mas era risco, e alguém havia
Que eu te cabia, eu tinha um corte
Mas era risco, e era uma via
Que eu te percorria por uma sorte
Me fez uma pequena maravilha
Me ilumina, eu viro estrela matutina
Que ainda de dia não para de brilhar
Me fez uma grande ventania
Me fascina, eu reviro madrugada
Que ainda calada não para de vibrar

(Cris de Souza & Cáh Morandi)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

'Porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você encontra forças. E, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco de chão. E, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você liga. E, quando está longe de casa gosta de ouvir minha voz pra se sentir perto de você. E, quando pensa em alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, é em mim que você pensa. Eu sei de tudo. E eu passei os últimos anos escrevendo sobre como você era especial e como eu te amava e isso e aquilo. Mas chega disso.

Caiu finalmente a minha ficha do quanto você é, tão e somente, um cara burro. E do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu nesses lugares deprê em que procura. E do quanto a sua felicidade sem mim deve ser pouca pra você viver reafirmando o quanto é feliz sem mim e principalmente viver reafirmando isso pra mim. Sabe o quê? Eu vou para a cama todo dia com 5 livros e uma saudade imensa de você. Ao invés de estar por aí caçando qualquer mala na rua pra te esquecer ou para me esquecer. Porque eu me banco sozinha e eu me banco com um coração. E não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso. E eu malho todo dia igual a essas suas amiguinhas de quem você tanto gosta, mas tenho algo que certamente você não encontra nelas: assunto.
Bastante assunto.

Eu não faço desfile de moda todos os segundos do meu dia porque me acho bonita sem precisar de chapinha, salto alto e peito de pomba.
Eu tenho pena das mulheres que correm o tempo todo atrás de se tornarem a melhor fruta de uma feira. Pra depois serem apalpadas e terem seus bagaços cuspidos.

Também sou convidada para essas festinhas com gente "wanna be" que você adora. Mas eu já sou alguém e não preciso mais querer ser. E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado.'



( Tati Bernardi )

terça-feira, 21 de abril de 2009

'Eu não espero que você seja o-grande-amor-da-minha-vida, parei de acreditar nisso na quinta série quando a moça que trabalhava na biblioteca do meu colégio me disse que estava se separando do marido dela. Meus pais estão juntos até hoje, mas a gente sabe bem como vão as coisas ali. A moça da biblioteca chorou. Não quero que você me faça chorar. Não quero que você seja um motivo ruim na minha vida. Você é motivo de sorrisos, razão pra eu acordar num dia de chuva e tomar banho e mudar de roupa porque eu sei que você vai passar aqui, vai trazer algo congelado pra gente ver ser aquecido no forno e comer enquanto falamos bobagens. Não quero te odiar. Não quero falar mal de você pros outros. Pras minhas amigas. Quero falar mal de você como quem ama. Pois é, Carla, ele nunca lembra de desligar o celular antes de dormir e sempre alguém do trabalho liga. Sabe, eu quero dizer isso. Que o máximo de irritação que você me provoca é me acordar de manhã cedo falando bobagens que parecem ser importantes no celular. Não quero que você me largue. Não quero te largar. Não quero ter motivos pra ir embora, pra te deixar falando sozinho, pra bater o telefone na sua cara. E eu não tenho medo que isso aconteça (eu nunca tenho), eu fiz isso com todos os outros. É só que dessa vez eu queria muito que fosse diferente. Dessa vez, com você, eu queria que desse certo. Que eu não te largasse no altar. Que eu não te visse com outra. Que eu não tivesse raiva. Que você não passasse a comer de boca aberta. Que você entendesse o meu problema com chãos de banheiro molhados pra sempre. Que você gostasse e cuidasse de mim como disse ontem à noite que cuidará. Eu quero que dê certo, não estraga, por favor. Não estraga não estraga não estraga. Posso pôr um post-it na sua carteira? Mesmo que a gente não fique juntos pra sempre. Mesmo que acabe semana que vem. Nunca destrua o meu carinho por você.'


( Tati Bernardi )

quarta-feira, 15 de abril de 2009

'Mesmo que a gente não fique juntos pra sempre. Mesmo que acabe semana que vem. Nunca destrua o meu carinho por você. Nunca esfrie o calorzinho que aparece dentro de mim quando você liga, sorri ou aparece no olho mágico da minha porta. Mesmo que você apareça na porta de outras mulheres depois de me deixar. Me deixe um dia, se quiser. Mas me deixe te amando. É só o que eu peço.'


(Tati Bernardi)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

'Na terra do coração passei o dia pensando - coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação - repetido, invertido - ação, cor - sem sentido - couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável. Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.

Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se p6os. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.

Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: "Im too pure for you or anyone". Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo.

Meu coração é uma planta carnívora morta de fome. Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos - ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também.Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.

Acesa, aceso - vasto, vivo: meu coração é teu.'


(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Apaixonada

Eu não tive escolha à não ser ouvir você
Você contou sua história sem parar
Eu pensei sobre ela

Você me trata como uma princesa
Eu não estou acostumada a gostar disso
Você me pergunta como foi meu dia

Você já me conquistou mesmo contra a minha vontade
Não se assuste se eu me apaixonar
Não se surpreenda se eu lhe amar por tudo o que você é
Eu não pude evitar
É tudo culpa sua

Seu amor é enorme e me engoliu inteira
Você é muito mais corajoso do que eu pensava
Isso não é da boca pra fora

Você é o mensageiro de coisas incondicionais
Você segurou a respiração e a porta para mim
Obrigada pela sua paciência

Você é o melhor ouvinte que eu já conheci
Você é meu melhor amigo
Melhor amigo com vantagens
O que me fez demorar tanto?

Eu nunca tinha me sentido tão bem assim
Eu nunca quis algo racional
Eu sei disso agora
Eu sei disso agora




domingo, 29 de março de 2009

'. . .Tudo isso dói.
Mas eu sei que passa, que se está sendo assim é porque dever ser assim, e virá outro ciclo, depois.
Para me dar força, escrevi no espelho do meu quarto:¨Tá certo que o sonho acabou, mas também não precisa virar pesadelo, não é?¨È o que estou tentando vivenciar.
Certo, muitas ilusões dançaram - mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas. Também não quero dramatizar e fazer dos problemas reais monstros insolúveis,becos-sem-saída.
Nada é muito terrível. Só viver,não é?
A barra mesmo é ter que estar vivo e ter que desdobrar, batalhar um jeito qualquer de ficar numa boa. O meu tem sido olhar pra dentro, devagar, ter muito cuidado com cada palavra, com cada movimento, com cada coisa que me ligue ao de fora. Até que os dois ritmos naturalmente se encaixem outra vez e passem a fluir.
Porque não estou fluindo.'



(Caio Fernando Abreu)



quinta-feira, 12 de março de 2009

Ainda que não me olhes, ainda que não me tenhas mais aí, dentro de ti, estás aqui, dentro de mim.
Me acompanhas sempre, senão em pensamentos já que meus dias são todo novidade, participas dos meus sonhos. Sonhos repetidos com você de xadrez andando atrás de mim por estradas de terra sinuosas me fizeram passar longos minutos acordada. Outro dia tive a sensação de ouvir tua voz dizendo que voltaria, mas soou como um consolo apenas, uma gentileza, nem chegou a me iludir.

'Ainda tenho saudade dos teus olhos. Quando tenho um tempinho olho sua foto. Sempre me apavorou a possibilidade de esquecer teu rosto. Descubro agora que a saudade de alguém distante é mais amena, menos dolorosa. A sensação é de que eu que morri e vivi por esse amor diversas vezes, agora sobrevivo a ele, com as tristezas pelo que se passou, mas também com as alegrias em estar viva e em ver tudo com olhos diferentes, olhos de sobrevivente.

Tenho estado ansiosa e feliz. Matei saudades que andavam me deixando doente, acabei com incertezas que me afligiam. Continua existindo em mim um medo enorme, o medo de não saber onde vou pisar, de me afundar tentando fugir, mas a superfície parece tão próxima, tão possível de ultrapassar. Quizá seja assim!

Esclareço, enfim, que escrevo mais para mim que para ti. Não importa que não venhas mais aqui. Falei de você, falei para você. Faço-o por mim. Pronto!'


(Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ele: Alô!
Ela: Sim?
Ele: Sou eu...
Ela: Sim?
Ele: Você está bem?
Ela: Estou bem, e você?
Ele: Bem também, só com saudades.
Ela: Também estou.
Ele: Tchau.
Ela: Tchau.
Porque eles não podem dizer "eu te amo!", então deixam subentendido.







Diiz TUDO !

Queria pedir que viesse, que esquecesse de tudo.
Pedir de novo,
Implorar,
Tentar,
Fazer você se decidir por mim.

Queria te dizer o quanto vai me fazer falta o seu sorriso. Como tudo parece valer a pena quando me sorri.

Queria ouvir Norah Jones com você, dançando as canções no nosso ritmo, com os seus olhos acompanhando os meus, com você me traduzindo as letras à sua maneira.

Queria continuar a te escrever cartas de amor. Dessas que escrevo na espera de te encontrar. Dessas em que eu engano minha saudade em que choro a falta do seu sorriso, do seu abraço, de você em mim.

Queria continuar a te contar os trechos do livro que leio, contar as passagens preferidas dos filmes que vejo, falar das coisas que mudaram e das que nunca mudam enquanto você não está aqui.

Queria nunca precisar me despedir da parte de você que já está em mim. Da parte em que eu insisto em não deixar ir embora.

Queria que nunca me faltasse a doçura dos teus olhos.

Venha, fique!


"Venha embora comigo,
E eu nunca vou deixar de amá-lo".



"Se eu pudesse me resumir,
diria que sou irremediável".



(Clarice Lispector)

sábado, 10 de janeiro de 2009




'Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele.
Guardei a minha no bolso. E fui.'


(Caio Fernando Abreu)


Nada melhor que uma das mais belas frases que já li para dar vida ao blog abandonado.